Projeto Gama Down – ASD/RN

A pele da criança com síndrome de Down

Autora: Meire Gomes *

É relatada uma deficiência de imunidade celular e da resposta da IgG em crianças com síndrome de Down (SD). As alterações imunológicas e a xerose cutânea característica da síndrome de Down provavelmente estão ligadas à susceptibilidade que os indivíduos com a síndrome apresentam às ectoparasitoses e às infecções bacterianas, fúngicas e virais.

É necessário atenção nos cuidados com a pele e tratamento adequado, pois infecções cutâneas podem ser porta de entrada para quadros sistêmicos, como a endocardite infecciosa.

1. Achados dermatológicos não necessariamente associados a doenças:

Þ      Cutis marmorata

Þ      Hipercarotenemia

Þ      Lentigos

Þ      Hipo e hiperpigmentações cutâneas

Þ      Atrofia cutânea precoce

Þ      Língua geográfica

Þ      Língua fissurada

Þ      Hipopigmentação em cabelos

2. Achados patológicos:

2.1 – Dermatite atópica (DA)

Além das lesões características, a xerose e o baixo limiar para o prurido caracterizam a DA.

Cerca de 30% das crianças com SD abaixo de 10 anos e até 80% dos adultos apresentam áreas de liquenificação, principalmente na região retro auricular e nas dobras de flexão do cotovelo e joelhos.

A hiperceratose palmo-plantar geralmente aparece após os 5 meses de vida e pode acometer até 75% das crianças com SD acima de 5 anos, mesmo sem deficiência de vitamina A.

2.2 – Dermatite seborréica

Cerca de 1/3 das crianças com SD apresenta dermatite seborréica de leve a severa. A dermatite seborréica evolui com períodos de melhora intercalados por períodos de agudização desencadeados freqüentemente por stress emocional e/ou físico.

Quando a dermatite seborréica se instala no couro cabeludo pode produzir descamação fina ou formação de crostas e no geral produz muito prurido; em outras áreas, como orelhas, face, pescoço e tronco, produz mais hiperemia e o prurido é menos intenso. Em crianças observa-se com alguma freqüência blefarite seborréica isolada, que tende a desaparecer com o tempo.

2.3 – Alopécia areata

Cerca de 6 a 8% das crianças com SD apresentam alopécia areata, caracterizada por queda total do cabelo em uma área circunscrita do couro cabeludo. A alopecia areata requer tratamento específico com o dermatologista e tende a ser mais severa e persistente nas pessoas com SD que na população geral.

2.4 – Infecções Fúngicas

As infecções fúngicas mais encontradas são a candidíase na área de fraldas e a Tinea pedis. As onicomicoses são mais freqüentes em adultos.

2.5 – Vitiligo

O vitiligo aparece em 1 a 2% da população geral e é mais freqüente em indivíduos com SD. A evolução do vitiligo é imprevisível, podendo permanecer estável por anos, avançar rapidamente ou ter regressão espontânea.

2.6 – Escabiose

A escabiose é potencialmente mais agressiva em crianças com de SD e tende a persistir e recorrer; casos de sarna crostosa são mais comuns que na população geral.

2.6 – Outras

Calcinose cutânea associada a siringomas

3. Cuidados Específicos

3.1 Dermatite atópica

O tratamento da DA segue a mesma rotina de cuidados gerais com a pele e uso de medicação tópica (corticoesteróides ou não). Sugerimos o uso de antihistamínicos como medida de exceção e por período curto nos casos onde o prurido seja intenso.

3.2 Dermatite seborréica

Além do tratamento tópico com corticóides e ceratolíticos, xampus com atividade antifúngica nos casos de dermatite do couro cabeludo podem ser indicados. Lembrar que o uso do enxofre, componente encontrado freqüentemente em sabonetes ceratolíticos, é desaconselhado nos pacientes com SD. Indicamos com freqüência a vaselina salicilada a 1% na dermatite seborréica leve dos pavilhões auriculares, pois tem boa ação antiinflamatória e ceratolítica com baixo custo e boa tolerabilidade.

3.3 Candidíase de fraldas e intertrigo

Cuidados gerais como compressas de chá de camomila, uso de amido de milho na troca de fraldas são associados ao tratamento específico com antifúngico tópico. Em alguns casos um antifúngico sistêmico pode ser necessário, como o fluconazol, já disponível em apresentação pediátrica.

3.4 – Escabiose

Uso de escabicida em loção, de preferência a permetrina, uso tópico em dose única, poupando face e região genital. Não prescrever sabonetes escabicidas, pois causam irritações na pele com freqüência, piorando o quadro. Outras medicações tópicas podem ser associadas, caso necessário.

* ² Médica pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, residência em pediatria pela UFRN, título de especialista em Pediatria pela Associação Médica Brasileira e Sociedade Brasileira de Pediatria; ex-médica da rede estadual de assistência à pessoa com deficiência do Rio Grande do Norte – Centro de Reabilitação Infantil; Curso de Formação em Perícia Médica, especialista em Direito Previdenciário.

REFERÊNCIAS:

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/entrez/query.fcgi?db=PubMed&cmd=Retrieve&list_uids=21020361&dopt=Citation

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http://www.emedicine.com/derm/topic687.htm

http://www.derma.epm.br/eczema/seborreico.htm

http://www.derma.epm.br/eczema/atopico.htm

http://gballone.sites.uol.com.br/psicossomatica/urticaria.html#vitiligo

http://author.emedicine.com/ped/topic2567.htm

http://www.sciencedirect.com/